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Saudade de uma memória que não tenho.

Tenho pensado que as pessoas muito se parecem com as estrelas.  Não pelo brilho, imponência ou beleza. Mas por permanecerem intocáveis, distantes, talvez nunca perto do nosso alcance. Penso em Sirius. É a estrela mais brilhante do nosso céu noturno. Está a 8,6 anos-luz de nós. Parece próxima quando a vemos daqui, porque a luz consegue atravessar toda essa distância e chegar aos nossos olhos. Mas há uma diferença imensa entre enxergar uma estrela e conseguir chegar até ela. Talvez algumas pessoas sejam assim. A gente as vê. Admira. Reconhece o brilho. Imagina, por alguns instantes, como seria estar perto. Mas existe uma distância, uma lacuna moral, social, circunstancial,  que não se mede apenas em quilômetros. Existe a distância do t empo para além das circunstâncias. Das escolhas também. Dos desencontros do cotidiano. Daquilo que nunca aconteceu. E talvez s eja esse um dos lutos mais estranhos que existem: sentir pesar por alguém que continua vivo. Alguém que resp...

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Há tanto de mim ainda por viver.

Cartas aos meus futuros filhos que eu talvez nunca terei.

Um sábado qualquer.

O que há de raro

A coincidência.

E já é segunda outra vez.

Em todo lugar.

Um sonho.

Luzes da cidade.