Um sonho.
Eu desperto de repente, ainda tentando processar tudo que tinha acontecido em sonho. Que loucura é essa? Eu nem sei se acordei.
Por alguns segundos, não sei onde estou.
O quarto ainda está mergulhado naquela luz azul fraca. A cortina se movimenta com a brisa que entra pela janela, e o umidificador continua soltando lentamente o aroma de lavanda. Eu respiro fundo. O meu coração está acelerado. Então percebo que estou deitada na minha cama, de frente pra janela do meu quarto. Olho pra alexa e já são 2:47 da manhã. Estou sozinha na minha própria cama. Passo uma mão pelo rosto e fico alguns segundos olhando para o teto.
— Meu Deus...
Aos poucos, as imagens do sonho começam a voltar. A varanda. O mar ao longe. Elian. A maneira como ele me olhava. A voz dizendo o meu nome. A visão perfeita dele entre a brisa da noite batendo em seu rosto e em seus cabelos, seu cheiro masculino envolvente em um perfume amadeirado, seu olhar profundo e ao mesmo tempo, de Golden, uma coisa mística, um desejo inegável. Seu corpo quase suplicando para estar próximo do meu.
Eu fecho os olhos novamente, como se isso pudesse apagar a lembrança. Não funciona.
Pelo contrário, agora eu consigo lembrar de detalhes que não gostaria de lembrar. Abro os olhos. Olho para a alexa. Ainda é madrugada e estou custando a dormir novamente. Eu me viro na cama e tento voltar a dormir. Impossível. Pego o celular na mesa de cabeceira. Nenhuma mensagem. Nenhuma notificação. Nada.
E isso, de alguma maneira, me faz rir.
— Claro que não.
Eu deixo o celular de lado.
Por alguns minutos, tento convencer a mim mesma de que aquilo tinha sido apenas consequência do vinho, do cansaço e de um dia inteiro pensando naquele homem. Mas porque justo esse homem?
Eu já tinha visto Elian antes. A memória vai clareando aos poucos os lapsos de imagens.
Já tinha cruzado com ele. Já tinha ouvido seu nome. Já tinha tido um outro evento empresarial com ele participando. Era isso, só podia ser isso. Deve ter sido há anos atrás.
Mas então, naquele dia o que havia mudado?
Talvez fosse a conversa. Talvez fosse o toque. Talvez fosse simplesmente o fato de que passei horas tentando não pensar nele.
Eu me sento na cama. A luz azul desenha sombras suaves no quarto. Olho para a estante de livros. Para a mesa de trabalho. Para o computador desligado. Para o mundo completamente normal ao redor.
E penso: Eu sonhei com ele. A constatação parece absurda. Eu pego o travesseiro e cubro parcialmente o rosto.
— Não acredito nisso.
Sorrio sozinha. Depois fico séria novamente.
Porque havia uma parte minha que não queria admitir uma coisa muito simples: eu tinha gostado do sonho. Não apenas da presença dele. Da sensação. Da maneira como me senti desejada, observada, escolhida. E isso talvez fosse mais perturbador do que o próprio sonho.
Eu finalmente me deito novamente. Puxo o lençol. Fecho os olhos.
— Amanhã eu vou esquecer isso.
Pauso.
— Definitivamente.
Mas, antes de adormecer outra vez, a última imagem que atravessa a minha mente é o sorriso de Elian. E eu percebo que talvez tenha acabado de criar um problema que não existia antes. Porque agora, quando o encontrasse novamente... Eu saberia exatamente como tinha sonhado com ele.
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