O acaso tinha olhos azuis.

Eu não estava procurando por ninguém naquela palestra.

Era apenas mais um compromisso da firma. Uma daquelas ocasiões em que empresários, sócios e empreendedores se reuniam para falar sobre negócios, investimentos e coisas que, em circunstâncias normais, deveriam ocupar toda a minha atenção.

Até ele aparecer. Eu o vi do outro lado do salão. E, por alguns segundos, esqueci completamente o que estava sendo dito no palco.

Ele era alto, devia ter por volta de um metro e oitenta e sete, talvez mais, e possuía aquele tipo de presença que fazia a altura parecer ainda maior. O corpo era forte, atlético, perfeitamente proporcional - músculos na medida exata, sem exageros. Ombros largos, costas bem desenhadas, pernas fortes, bumbum perfeito e uma postura naturalmente elegante.

Era, de maneira quase irritante, o homem que eu sempre imaginei. Meu tipo. O tipo que existia havia anos na minha cabeça como uma espécie de fantasia impossível: alto, forte, bonito sem esforço, masculino sem precisar fazer questão de parecer masculino. E então ele virou o rosto. Olhos azuis. Cabelos meio dourados cuidadosamente penteados para o lado. Meu Deus. Por um instante, pensei em Dean DiLaurentis de off campus.
E imediatamente me repreendi. Logo o Dean? Sério?

Mas era impossível não notar a semelhança.

Ele usava uma camisa social impecavelmente ajustada, que acompanhava o desenho dos ombros e do peito sem parecer inadequadamente apertada. A calça social tinha um corte perfeito, acompanhando a estrutura das pernas e a silhueta do seu membro com uma precisão que deveria ser considerada uma espécie de provocação. Não havia nada vulgar nele. Era justamente o contrário. Tudo era elegante. E talvez fosse isso que tornasse tão difícil desviar o olhar.

Quando ele se virou completamente, percebi outros detalhes. A pele impecável. As mãos grandes. O contorno delicado da boca naturalmente rosada. O sorriso discreto que surgiu quando alguém ao lado dele disse alguma coisa. E as tatuagens. Poucas o suficiente para não dominarem sua aparência, mas visíveis quando a manga da camisa se movia. Aquilo me pegou de surpresa. Havia alguma coisa naquela combinação que me lembrava um licor: quente, sofisticado, misterioso e perigosamente fácil de querer provar.

Eu ainda estava tentando convencer a mim mesma de que não estava encarando quando nossos olhos se encontraram. Foi rápido. Muito rápido. Mas ele sorriu. Não aquele sorriso confiante de quem sabe que é bonito e está acostumado a ser observado. Era diferente. Quase tímido. Acolhedor. E havia naquele olhar uma espécie de delicadeza que não combinava, de início, com o homem que eu acabara de imaginar como uma criatura saída diretamente dos meus sonhos.

Entre um cumprimento e outro das pessoas ao nosso redor, rostos conhecidos chegaram perto e o chamaram. Foi aí que descobri o nome dele. Elian. Elian era sócio. Empresário. Dono de uma participação importante na empresa. Vinha de uma família que, segundo ouvi depois, nunca precisara se preocupar muito com dinheiro. Ainda assim, havia nele uma independência que não parecia construída sobre o patrimônio da família. Ele parecia saber exatamente quem era e onde queria chegar. E eu ainda não sabia absolutamente nada sobre ele. Não sabia como era sua voz quando falava baixo. Não sabia do que gostava. Não sabia se tinha alguém. Não sabia se aquele sorriso era habitual ou se tinha sido apenas para mim. Não sabia sequer se ele havia reparado em mim de verdade. Mas alguma coisa dentro de mim já tinha decidido uma coisa muito antes de qualquer outra:
Eu queria descobrir.

Porque havia homens bonitos. Havia homens interessantes. E havia homens que pareciam perigosamente próximos daquilo que você passou anos imaginando sem acreditar que pudesse encontrar. Elian parecia ser o terceiro tipo. E, pelo jeito como ele olhou para mim uma segunda vez antes de voltar sua atenção para a palestra, talvez eu não tivesse sido a única a perceber.

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