Sentinela.

 


Eu sei o quão é díficil relaxar e se entregar de novo, eu sei. É bizarro o quanto acreditamos mais na catástrofe no que nas milhões de possibilidades na nossa frente. É sempre uma síndrome do impostor querendo se sobressair, maldita seja. Uma mistura de fim de ano com fim do mundo toda vez que abrimos espaço para o novo na nossa mente. 

É estranho porque, por um tempo, todo mundo já viveu um período, nem que seja pequeno, de não se preocupar. De tudo parecer se encaixar. Nem que seja por um dia. Quando foi que ficamos tão desesperançosos, afinal

Vivemos sempre cogitando o pior, a traição, a revelação, o desencanto. Até o que rendeu boas memórias em algum momento, vira um ultraje. São capas, cascas que escondem o que tem de melhor em nós: nossa esperança, nossa fé em algo ou em nós mesmos. 

Me sinto como um sentinela, sempre vigiando, sempre a espreita do pior. Como se fosse algo condicionado, que fugisse do meu controle. Nos fazem acreditar em tudo, menos que merecemos o melhor, e que o melhor sempre encontra a gente, de alguma maneira. 

Tudo que tiver que acontecer, vai acontecer. E vai me servir, como lição ou como benção. 

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