Eu vou sonhar mais uma vez, porque se o sonho acabou não é um sonho velho que vai acabar comigo.




Eu entendo a sua frustação de me ver vivendo, não mais sobrevivendo. Deve ser difícil desejar que a outra pessoa morra enquanto ela sangra e vê-la sangrando mas vivendo, caminhando entre as poças frias e enxugando os coágulos mentais roxos com ânimo. 

Deve agoniá-lo ver o meu fôlego enquanto tudo o que você fazia era me sufocar, me empurrar pro fundo do poço de onde eu te puxei enquanto você se apoiava em mim para subir e saltar pra vida enquanto eu me afundava em feridas que o algoz pisava e as abria, ao mesmo tempo.

A sua dor não foi de me perder, mas de não me ver se perder de mim mesma pra caber em você. Pra caber na sua chuteira furada enquanto entre pisadas, eu era convencida que melhor tomar um chute dentro de uma relação sem amor do quê tomar um chute e ficar só. 

Entendo que deve doer ver o seu circo pegando fogo e te queimando dentro, entre cinismos, mentiras, sua face coberta de sombras e meia dúzia de falas narcisistas sobre o quão especial você é dentro de um romance. Uma sombra a espreita de atingir vítimas de coração amolecido. Você aperta, abre, adentra e sobrevive dos cascões de uma ferida sarando. É desse tampão de anticorpos emocionais que você se alimenta. Afinal, o que seria de você sem uma dependência de alguém? isso mesmo, ninguém.

A sua maior decepção é não ter apagado os meus sonhos, de saber que mais cedo ou mais tarde, aquele sonho velho se tornará novo de novo, como se fosse a primeira vez, com a mesma doçura e encanto, com os mesmos olhinhos inocentes brilhando e amando, porquê você não desfez a minha luz. Você só se alimentou dela demais, que esqueceu o que era a sua vida, aquela mórbida, pálida e apagada vida. 

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